[Texto produzdo pelo LABCRIAMUR para seu projeto de curadoria educativa]
Sara Costa, residente no Cariri, retrata em suas obras paisagens do seu cotidiano com uma expressão poética que vai além da técnica, mergulhando nas nuances da natureza e da vida quotidiana da região. Desde sua graduação em Artes Visuais na URCA, ela desenvolve essa abordagem artística, convidando o espectador refletir sobre a conexão entre o homem ambiente. Suas obras transmitem uma mensagem profunda sobre a beleza da vida e a complexidade das emoções humanas.
[Texto de divulgação elaborado pela equipe de curadoria do 27º Salão Anapolino de Arte]
Sara Costa (@saradsicosta) natural de Juazeiro do Norte, Ceará, e nascida em 1998, é uma artista que atualmente reside e trabalha em sua cidade natal. Sua carreira artística é marcada por exposições individuais e coletivas que exploram a riqueza de sua expressão criativa.
Além de algumas exposições individuais, a artista também participou de diversas exposições coletivas de destaque.
Em 2018, sua obra fez parte da exposição "Arquipélagos" na Galeria Célia Bacurau, no Crato, CE. Em 2019, contribuiu com o "Festival Sérvulo Esmeraldo 90 anos" na URCA, Crato, CE. No ano seguinte, em 2020, sua arte esteve presente na exposição virtual "Curanderias e Ebulições," realizada no Centro de Artes Maria Violeta Arraes de Alencar Gervasieux.
Sua influência artística ultrapassa fronteiras, como evidenciado em 2021, quando participou da "Exposición colectiva de artistas brasileños", no Mi Lugar Espacio Cultural, em Buenos Aires, Argentina. Em 2022, sua obra foi destaque em duas exposições: "Rotas periféricas", na Galeria Curva, Juazeiro do Norte - CE e no "Festival Sérvulo Esmeraldo 93 anos," na URCA, Crato, CE.
Sobre o trabalho:
A pintura se apresenta a Sara Costa como resultado das sensações do ato de estar presente. Enquanto ela está presente em suas idas e vindas pela cidade, a paisagem frequentemente se torna a protagonista. Ao percorrer a cidade, a artista interpreta a paisagem como um organismo que respira, se alimenta e cresce.
Os grifos em muros, as novas construções, as torres eletrônicas e as casas com varais de roupas à frente são pequenos vestígios dos modos de vida, da urbanização da cidade e das relações entre as pessoas que ali habitam, além de inúmeras narrativas que podem ser criadas ao conectar os elementos visuais que a paisagem oferece.
As pinturas presentes nestes trabalhos de Sara Costa são, entre outras coisas, registros imagéticos de algumas paisagens que se desdobram de um dia para o outro, nunca amanhecendo da mesma maneira.
[Texto da artista para os trabalhos expostos no 27 Salão Anapolino de Arte]
A pintura se apresenta para mim como produto da estesia do ato de estar presente. Estando presente em idas e vindas pela cidade, a paisagem por vezes é a protagonista e andando por ela interpreto-a como um organismo, que respira, come, e cresce. Grifos em muros, novas construções, torres eletrônicas, e casas com varal de roupas na frente, são pequenos vestígios de modos vida, da urbanização da cidade, da relação entre as pessoas que lá vivem e entre mil ficções que podemos criar ligando as pistas que os elementos visuais nos entregam. As pinturas presentes são, entre outras coisas, o registro imagético de algumas paisagens que aconteceram em um dia, e depois aconteceram diferente em outro, mas nunca “amanheceram” as mesmas.

[Texto de Curadoria de Gleison Amorim para a exposição virtual Postais– Azul sobre Ipê amarelo, em 2020.]
A exposição POSTAIS, exibe pinturas como recorte das paisagens que atravessaram os lugares por onde a artista Sara Costa passou. Em seu processo de criação muitas vezes o elemento iconográfico se perfez, através de registros biográficos realizados pela artista em fotografias que logo mais se transformariam em
suas paisagens visuais. A performance das pedaladas de bicicleta como um dos principais exercícios durante sua saída do ateliê produzia a pintura em lugares diversos que ao longo de sua trajetória foi desenvolvendo um querer/fazer que construiu sua ciência imaginária e extasiante proporcionada pela experiência de olhar/ver cenas do cotidiano: O concreto dos prédios misturados entre o verde da vegetação das árvores em meio a tons de amarelo dos ipês de Juazeiro do Norte, sob, o azul ao olhar o céu, o mar, as nuvens, entre luzes e cores; de certa forma, não nega o esforço impressionista de eternizar momentos presentes em suas obras.
Aproveitar-se da abstração como nas palavras da artista “não é um resultado objetivo da paisagem em si, mas, do modo como elaentra em mim, e de como posso materializá-la com meus recursos materiais”.
[Texto da artista para a exposição virtual Paisagens Implícitas, em 2020]
A paisagem me persegue o tempo todo (ou eu a persigo ?) ela me cerca, me enquadra. Nas palavras da filósofa Anne Cauquelin: "sua percepcão é uma evidência, uma injunção implícita, ela esta dada, apresentada aos sentidos, como uma fruição, um repouso". A verdadenas paisagens a seguir é tão importante quanto suas harmonias de fornas cores, seu "repouso" e "fruição'. Ambas as qualidades estão implícitas em cada uma delas. Vou então transformando essas verdades, essas formas e essas cores em algo que possa guardar, meu esforço é em abstrair essa paisagem ao redor, senti-la com todos os meus sentidos, deixar-me absorvê-la.
Assim todo resultado transformação, produto do exterior que me alimenta, nada tenho de culpa ou mérito, do apenas transformo.